Republicando 6 – A verdadeira kusudama

Li num blog massa*, um miniartigo sobre a relação entre dobradores e origamistas.
Segundo o autor, Norberto Akio Kawakami, a diferença está nos fatores repetição e criação e conclui dizendo que não se julga ainda um origamista.
Venho pensando sobre o assunto, até porque vivemos num país em que os trabalhos manuais sempre foram coisa para serviçais.
Imagine a pressão que sofro quando deixo de atuar como jornalista para tentar viver de e para a coisa que mais gosto de fazer na vida: o Origami.
Até meu filho vira pra mim e diz:

– Mãe, ninguém pode viver de hobbie!!!
Eu mesma me pego pensando se não estou me tornando uma máquina de dobrar…
Mas nem sempre é assim.
E mesmo quando há uma encomenda de 60, 80, 500 peças, e acontece de termos de virar noites dobrando e dobrando…
Isso é maravilhoso!
É meditativo, pois cada peça é única!
Leva minha mente para instâncias elevadas, fora da materialidade sórdida, apesar de ter pedacinhos de papel bem palpáveis nas mãos.

***

Norberto dá outra pista para resolvermos esse dilema. Ele diz que “um origamista, ao fazer as dobras, tem a sensação de estar em um domínio não percorrido antes. Ele nunca tem certeza se aquela dobra é a que deixará sua peça perfeita. É o momento da criação… E esta sensação nenhum dobrador tem”.
E quem vive inventando modificações nos diagramas que encontra?
É isso o que acontece comigo. Se uma kusudama tem muitos fru-frus, detalhes e tal, não me agrada mesmo. Começo, então a desbastar os babados. É o caso da foto abaixo:

Terá nascido uma nova kusudama?

* Origami: Transformando Papel em Arte.

***

Outro aspecto do dilema, no qual Norberto não toca, talvez porque curta os origamis em si, simplesmente, é o da montagem.
Quem é apaixonada por kusudamas e móbiles em geral como eu, não se conforma com as propostas de montagens que vêm nos livros e kits, tampouco interessa copiar o que outras apresentam nos seus blogs.
Quando estou montando as peças, fico com tudo à mão: linhas, fitas, guisos, florzinhas, estrelinhas, e tudo mais. Como não curto miçangas, uso cristais feitos com módulos da própris kusudama, flores, bichinhos e outras formas de Origami, além de ervas amarradas. Cada montagem é diferente da outra. E poucas são as repetições, pois (quase) tudo o que fazemos é (quase) exclusivo.
E quanto aos sutis limites entre os domínios da arte, do design e do artesanato?
Costumo dizer que, o artesanato não costuma ter conceito, a arte tem conceito, mesmo que tenha sido tramado a posteriori (hehehe) e o design precisa partir de um conceito. Beleza?

A necessidade faz a mulher!
E também os origamistas!

Assim nasceu a Kusudama Verdadeira do Dobras ao Vento


Publicado em 29.10.06

A verdadeira kusudama

Kusudamas são presentes mágicos, bolas de cura. Os japoneses costumam presentear doentes com essas delicadas esculturas de papel. Elas vêm recheadas com ervas e curam enquanto exalam deliciosos odores. Penso que as cores também são importantes nesse processo curativo, por isso me preocupo muito com o uso harmônico das cores e tons.
Kusudamas são mandalas.
Desde que conheci as kusudamas, venho tentando resolver uma montagem que possibilite a troca do recheio sem que precise ser desfeita. Do diálogo com Noá, surgiu um novo módulo para a construção de uma linda tampinha. A da foto foi dobrada com papel vegetal pintado a mão com verniz vitral e recheada com pauzinhos de canela e folhas de pitanga do nosso jardim.
Linda!

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