Contando histórias…

Fui chamada de novo para aprontar no Instituto Ricardo Brennand.
Todo mês, acontece o projeto Peça a Peça, que parte de uma obra do acervo do IRB para a realização de um evento para a formação de fruidores.
A obra é escolhida pelo público.
Este mês, todas as concorrentes referiam-se à Mitologia Grega.
Pense num negócio que curto!
Já fiz até uma tentativa de árvore genealógica dos deuses e heróis.
Trabalho hercúleo e infinito!
Gigante e irremediavelmente incompleta!
hehehehe

Escolhida a obra, a coleção de esculturas neoclássicas Danaides, Carlinhos Lima me chamou para contar a história em uma oficina que vai acontecer amanhã às 15h.

Toda vez que se conta um mito grego, conta-se uma versão dele.
Muitos escritos se perderam e os que existem são discordantes, quer entre si, quer quando confrontados com obras visuais atribuídas à época.
O que vou contar é uma viagem minha a partir do que li e sinto.
; )


As Danaides

Era uma vez dois irmãos gêmeos aos quais foram destinados os comandos de dois territórios.
Dânao governaria a Líbia e Egito, a Arábia.
Apesar da divisão ter sido feita em paz, os irmãos, como costumava acontecer na Mitologia Grega, disputaram território.
Temendo pela vida das suas 50 filhas, as Danaides, concebidas com mui diversas mulheres, Dânao construiu um imenso barco com 50 remos e fugiu para bem longe dali.

Foram para a terra de seus ancestrais, onde Dânao exigiu o trono de volta à sua linhagem.
Uma coisa muito estranha aconteceu nas redondezas, colaborando para que o Rei Gelanor devolvesse o reino de Argos a Dânao.
Um lobo surgido do nada atacou um rebanho e devorou o touro.
Isso foi tomado como um recado dos deuses.
E quem tinha coragem de contrariá-los?

Acontece que Egito tinha 50 filhos fortes de meter medo, grupo cujo nome já podemos adivinhar… Sim, os Egípcios!
As Danaides eram danadinhas e não ficaram a bordar e fiar e cozinhar não. Elas trataram de se preparar para o embate, estudando Filosofia e luta greco-romana, pilotavam bigas de guerra e caçavam nas matas.
Mas, ao que parece, os Egípcios não queriam a guerra e sim a paz através de um casamento comum entre os 100 primos e primas.
As Danaides e seu pai bolaram um plano mirabolante com o pai e aceitaram a proposta de casamento.

E, durante a Lua de Mel, cada uma das Danaides tinha uma adaga nas mãos.
Quarenta e noves Egípcios foram assassinados por suas quarenta e nove noivas.
Apenas uma, Hipermnestra, foi incapaz de cometer o mesmo crime, pois havia se apaixonado por Lirceu, o primo a ela destinado.
Ela foi presa pelo pai por ter traído as irmãs, mas se livrou da prisão porque Afrodite, a deusa do Amor e da Beleza, em pessoa apareceu para defendê-la.
Uma vez solta, Hipermnestra pôde viver seu amor livremente.

E as danadinhas?
O que aconteceu com elas?
Foram condenadas a, eternamente, apanhar água em vasos e derramá-los em um imenso vaso sem fundo.
Dizem que, depois disso, nunca mais faltou água em Argos.

Tarefas infindas como o próprio viver foram tantas vezes imputadas aos heróis e mortais que se comportaram mal na Mitologia Grega…
Sísifo e a rocha, Prometeu e o fígado…
Quantos de nós nos impomos rotinas tão árduas quanto essas?
Eu estou mais para Hipermnestra e sua opção pela liberdade e o amor!
; )

Muitos beijinhos…

eva


E o Origami? Onde fica?

Então, fiz um estudo de vasos e vamos dobrar um deles depois da contação de história.
; )

O que vamos dobrar:

O estudo:

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