Contando histórias…

Na sexta-feira passada,
fiz uma coisa que nunca havia feito antes:
contei uma história e fiz um origami com crianças muito pequenas!
Chega dava medo de tão fofas!
Elas tinham entre 3 e 4 anos e estudam num colégio particular do Recife.
Muito pequeninas,
elas precisam de ajuda para todas as dobrinhas
e precisamos fazer isso de um jeito que elas achem que estão realmente dobrando. Então, a gente vira a folha até o lugar certinho
e elas passam a mãozinha para vincar.
Lindas!!!

Quem me convidou para essa aventura foi Socorro Cidrim,
que tinha ouvido falar na oficina que realizamos no Festival de Inverno de Garanhuns em 2007.
O famoso boca-a-boca funcionando, hein?
; )

Escolhi uma história que adoro
e que me introduziu aos textos de Mário Quintana
e abriu uma imensa perspectiva diante da poesia contemporânea brasileira na minha vida.
Lá vai:


Velha história

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria.
Até que apanhou um peixinho.
Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente,
e tinha um azulado tão indescritível nas escamas,
que o homem ficou com pena.
E retirou cuidadosamente o anzol
e pincelou com iodo a garganta do coitadinho.
Depois guardou-o no bolso traseiro das calças,
para que o peixinho sarasse no quente.
E desde então ficaram inseparáveis.

Aonde o homem ia,
o peixinho acompanhava,
a trote,
que nem um cachorrinho.
Pelas calçadas.

Pelos elevadores.
Pelos cafés.
Como era tocante vê-los no “17”! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara fumegante de moca,
com a outra lendo jornal,
com a outra fumando,
com a outra cuidando do peixinho,
enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava uma laranjada por um canudinho especial …

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado.
E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas.
E disse o homem ao peixinho:
– Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste …

Dito isso,
verteu copioso pranto e,
desviando o rosto,
atirou o peixinho na água.
E a água fez um redemoinho,
que depois foi serenando, serenando…
até que o peixinho morreu afogado.

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