Narciso

Tem um filme que já vi mil vezes e toda vez me faz chorar de 4 em 4 lágrimas!
Peixe Grande!!!
Eu me coloco no papel do pai contador de histórias e vejo Kiichi no filho dele.
Será que minhas histórias também são ouvidas como mentiras pelo meu filho?

A própria história do nascimento de Kiichi já foi uma aventura!
Ainda não contei a vocês?

Não seja por isso…
A minha barriga nem tinha começado a crescer, quando o médico, o Dr. Manga Rosa, disse:
– A data é 3 de maio.
Lá pelo sexto mês, eu perguntei:
– Dr., você não vai passar um ultrassom?
– Pra quê? – ele perguntou?
– Pra eu saber se é menino ou menina!
– Ah! – ele se admirou – eu ainda não te disse? É menino! Mas, se você quiser fazer a ultra, eu passo!
E assim se fez! O finado Manga Rosa era um profeta!

Às 11 da noite do dia 2, Kiichi avisou que queria nascer.
Eu queria parir num hospital público pra ninguém querer fazer uma cesariana em mim.
Então, no primeiro hospital, faltava pediatra.
No segundo, apesar de eu não ter dilatação suficiente, me admitiram.

Entrei como quem vai prum campo de concentração, sem roupas, nem chinelos, me banharam, depilaram e me deram uma daquelas batas que deixam a bunda de fora.
Entrei na sala de pré-parto e vi uma cena inesquecível: uma negra com os cabelos arrepiados, com estrias do peito ao joelho gritava:
– Doutor, me salve! Faz dois dias que eu sofro!
Eu olhei pro meu relígio biológico e pensei:
– Tou lascada! Acabei de chegar!
Pois a criatura pariu ali, na minha frente.

E eu sem contrações suficientes.
Aplicaram um sorinho em mim e fiquei querendo parir na hora!
Não doía não, era uma força que vinha de cima, di diafragma, acho, e empurrava tudo pra baixo.
Me levaram pra outra sala, me sentaram numa cadeira engraçada, um tipo de objeto de tortura, e nasceu Kiichi!
Enquanto ele fazia a primeira prova da vida, o médico tirava uma coisa enorme de dentro de mim. Eu, dramática, quase gritei:
– Doutor, devolva meu fígado!
Ele se estourou de rir e me disse que aquilo era a placenta.
Ufa!!!
Sabe como é esse negócio de erro médico, né?
Enquanto ele terminava o serviço, conversamos sobre realismo fantástico.
Não faço idéia de quem era aquele obstetra gentil e letrado!

Saímos da sala numa maca, numa posição que eles chamaram de encubadora natural: o bebê entre minhas pernas.
Viagem!!!

Eram muito primitivos os métodos daquele hospital, o IMIP – Instituto Materno Infantil de Pernambuco, mas as mães nunca perdiam seus bebês de vista e assistiam a palestras sobre amamentação e cuidados com o recém-nascido.
Eles são referência mundial. Fazem também aquelas histórias de bebê-mamãe-canguru e outros métodos gratuitos que salvam vidas e preservam todo mundo da infecção hospitalar.

Eita!!!
Peixe Grande virou pretexto preu contar outra história…
E os narcisos? O que têm a ver com isso?
Assistam ao filme!
; )

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